quarta-feira, outubro 15, 2008

Bicicleta


Nesta semana deu para conhecer todos os meus professores. Uns mais simpáticos do que outros e uns que percebo o que dizem e outros que não percebo nada de nada. O mais engraçado é quando me perguntam se percebi. Eu nem percebo que eles me estão a perguntar se eu percebi e não sei porquê mas acabo por dizer sempre que sim, eu não sei o que perguntam mas eu digo que sim. Já me dei mal por causa disso mas ainda não o suficiente para deixar de o dizer. Quando estou num momento de pressão a minha tendência é para dizer que sim mesmo que não perceba a pergunta. Tenho um professor que não percebo nada do que ele diz. Ainda estou para descobrir a matéria que vou dar àquela disciplina, vai ser uma surpresa para mim no dia do exame. Sinceramente, não estou muito preocupada. Com as aulas de italiano as coisas vão lá e para mais tenho colegas muito simpáticos, oferecem-me os apontamentos e ainda vão comigo comprar os livros. O que posso pedir mais? Para facilitar mais as coisas o meu coordenador de Erasmus em Itália fala português, não me posso queixar. Tenho tido muita sorte. Eu cá não quero chatear nenhum italiano, já ouvi dizer que são umas feras quando fazemos alguma coisa que eles não gostam. Um dia passam-se comigo.
Finalmente tenho uma bicicleta e não comprei uma roubada, o que é muito difícil aqui em Pádua. Mas foi complicado, o rapaz não falava inglês…estava complicado fechar negócio. Sinceramente acho que fui enganada. Não sei se é a minha falta de prática ou a bicicleta não é lá grande coisa, estou a tentar trocá-la por outra mas duvido que consiga. Todos os meus amigos vão a “speedar” e eu lá atrás a tentar dar o mais que posso, devem pensar “Esta portuguesa é sempre a mesma coisa, coitadita!”. Já não andava de bicicleta há muito tempo mas como se costuma dizer, nunca nos esquecemos como se anda de bicicleta. Realmente é verdade, eu não me esqueci, mas foi difícil não ir contra os carros (parados) e ainda continuo com algumas dores em determinadas partes do meu corpo.
Resolvi não deixar nenhuma fotografia da minha bicicleta, não porque seja feia ou muito velha mas porque ainda não tirei nenhuma fotografia. De certa forma tenho uma relação de amor – ódio com ela.


Ciao e baci

domingo, outubro 12, 2008

Verona


A cidade de Romeu e Julieta. Muita gente acredita que esta história realmente existiu. Bem, até pode ter existido uma história semelhante mas não igual à de Shakespeare. Muitas pessoas desejavam ter uma história de amor como a deles, tirando a parte da tragédia. É verdade, realmente é uma história bonita e que nos faz sonhar mas não passa disso.
Neste sábado fui até Verona com o grupo de Erasmus. Realmente valeu a pena ter ido, Verona é uma cidade lindíssima e ainda mais bonita do que Pádua. Sem dúvida que Itália é um país lindíssimo e fiz uma óptima escolha em ter vindo para cá. Visitei alguns dos sítios mais emblemáticos da cidade e como não podia faltar a casa do Romeu e da Julieta. Perto da casa da Julieta há uma parede coberta de bilhetes de amor, pessoas que pedem os seus desejos num papel e depois colam com uma pastilha elástica (sem dúvida muito romântico) como se a Julieta os fosse ajudar. Eu não deixei nenhum bilhete porque nem a Julieta me pode ajudar mas aproveitei e pus a minha mão na mama da Julieta, é verdade. Eu não queria pôr mas alguém me disse que se não pusesse dava azar e lá resolvi por descaradamente a minha mão sem lhe pedir autorização. Ainda pensei, se fosse o Romeu…agora a Julieta? Nada de estátuas do Romeu mas só da bonita Julieta. Achei engraçado terem transformado a casa da suposta Julieta numa loja de aventais. Muito romântico, não haja dúvidas.
Acho que todas as cidades italianas têm algum romantismo, não sei se é devido ao tipo de arquitectura, idade média, gótica que nos faz imaginar se tivéssemos naquele tempo. Acho que naquela altura não devia ser tão romântico, devido às condições de higiene que possuíam.
Se já encontrou a sua cara-metade vá com ela a Itália, não se arrependerá.

Ciao e baci!

segunda-feira, outubro 06, 2008

Ciao Italia!


Já me encontro por terras desconhecidas. Depois de alguns dias na bela e antiga cidade de Pádua já deu para perceber que tenho de comprar urgentemente uma bicicleta porque os meus pés já não aguentam mais. Toda a gente anda de bicicleta e eu não ando porque para ter uma terei de gastar ainda uma boa quantia de dinheiro ou terei de comprar uma bicicleta roubada, que um dia mais tarde poderá ser roubada também.
A cidade de Pádua é muito diferente da cidade de Lisboa, é uma cidade mais pequena e mais antiga. Desde que cá cheguei já tive algumas situações embaraçosas com o meu belo italiano. Confesso que não consigo falar italiano e passo o tempo todo a falar inglês e eu nem sabia que conseguia falar inglês, agora não quero outra coisa. Até Sábado pensava que havia muitos poucos portugueses em Pádua mas afinal ainda somos bastantes. Conheci imensos e deu para falar um pouco português. Eu estou a adorar em praticar o meu inglês, então passo o tempo todo com belgas, polacos e alemães. Normalmente as pessoas têm tendência a andarem sempre com pessoas do mesmo país. Eu acabo por andar sempre com estrangeiros. No sábado houve uma visita guiada por Pádua e mais tarde fomos até ao Prato della Valle, que é um dos sítios mais bonitos de Pádua e fomos beber umas sangrias, uma festa para os estudantes de Erasmus. Passei a noite toda com um grupo de polacas que vivem na minha residência, senti-me o emplastro mas diverti-me imenso e depois acabei por ir jantar uma magnífica pizza com 3 espanhóis, 3 belgas, 2 italianos e 1 alemão. Como vêem eu gosto de conhecer pessoas de diferentes países e acho muito mais interessante.
Desde que cá estou tenho comido mozarella todos os dias. Todos os dias prometo a mim mesma que hoje não comerei mozarella mas é difícil porque quase todos os pratos têm mozarella e mesmo quando não têm eu tenho de a comer, irei comê-la até enjoar e espero que esse dia nunca chegue. Como vivo numa residência tenho de comer sempre fora, então posso dizer que ando a provar todos os pratos italianos, o que me agrada. Eu acordo a pensar em comida e deito-me a pensar nela e quando chegar a Portugal terei mais 10 Kg, com certeza. Ainda bem que eu escolhi Itália para viver. Para quem nunca veio a Pádua, vale muito a pena. As pessoas são simpáticas, a comida é óptima, é uma cidade fria mas agradável e bonita.
É verdade, já me ia esquecendo, até agora não tive muitas aulas na universidade mas serão todas em italiano e até agora gostei dos professores. Daqui a poucos dias começarão as aulas de italiano e perceberei melhor o que me dizem e saberei pedir convenientemente uma pizza.
Tentarei escrever todas as semanas a contar as minhas aventuras como estudante de Erasmus nesta magnífica cidade de Pádua.

Ciao e baci

sábado, setembro 27, 2008

Ciao Portogallo!


No próximo dia 30 irei iniciar a minha grande aventura como estudante de Erasmus para Itália, mais propriamente para Pádua. Estou perto do dia de embarque e tento recordar-me porque raio me inscrevi para ir para um país estrangeiro completamente sozinha. Chego à conclusão que não devia estar bem da cabeça.
Bem, toda a gente me diz que vai ser uma aventura incrível, sinceramente acredito nisso, quando me quiser expressar e não conseguir, vai ser uma grande aventura, espero não ofender ninguém com o meu belo italiano. Toda a gente me diz que estou muito calma para quem vai viver uma experiência deste género. O que posso dizer é que estou ansiosa mas ficarei mais excitada quando lá chegar. Prefiro nem pensar, por isso este meu estado aparente de tranquilidade. Quando resolvi ir fazer Erasmus e disse aos meus pais, eles concordaram em que eu fosse e acharam que seria muito bom para mim, principalmente para o meu currículo…bem, eu fui sincera e disse que não ia propriamente para isso mas sim para me divertir, conhecer pessoas novas, visitar vários países, aprender umas nova língua e já agora também estudar. Não, não pensem que só quero rambóia, claro que vou fazer as cadeiras a que me propus. Ainda não sei bem quanto tempo irei ficar por lá, se gostar muito pode ser que fique lá um ano. Por isso, os próximos posts vão ser escritos em Itália, e contarei algumas das minhas aventuras. Por isso estejam atentos, acredito que irei ter muita coisa para contar.

Até à próxima!

sexta-feira, agosto 29, 2008

Inscrições para o atelier de jazz


O atelier de jazz do conservatório de Alhandra começou a funcionar em Novembro de 2007 e este ano estão novamente abertas as inscrições para o ano lectivo 2008/2009.
Estas aulas são dadas por professores do Hot Clube de Portugal, com Pedro Moreira,
Bruno Santos, Filipe Melo, Gonçalo Marques, Ricardo Pinheiro entre outros. Digo por experiência própria que aprendi imenso com todos eles e cresci muito musicalmente. Depois de muitos anos de estudo de música clássica, finalmente encontrei um estilo musical com que me identifico. Para quem toca qualquer instrumento acho que era importante ter aulas de jazz, acho que crescemos muito quanto músicos e começamos a conseguir tocar qualquer coisa que nos apareça à frente, o que é muito gratificante.
Para além de treinarmos o nosso ouvido, tocarmos em conjunto e divertirmo-nos a faze-lo, ainda temos a simpatia e a disponibilidade dos professores que lá vão. De início, é muito frustrante quando não conseguimos tocar nada, nem fazer um pequeno solo mas com o tempo vamos melhorando. Eu ainda sou uma novata e só tenho pena de não ter começado mais cedo.
Por isso para quem estiver interessado em aprender jazz, tocar em grupo e conhecer os grandes mestres do jazz português inscrevam-se, vale muito a pena. Se estiverem interessados e com dúvidas podem deixar um comentário e eu responderei. Não se preocupem com o vosso nível de instrumento, é para todos os níveis. No cartaz estão todas as indicações.


Até à próxima!

domingo, agosto 17, 2008

Roda gigante é que não!


Depois de 10 dias no Algarve regressei a Lisboa para estudar para o meu exame que será em Setembro, a única cadeira que me falta para ser uma senhora licenciada.
Andei pelas festas algarvias, na fabulosa festa do “Sasha beach” e senti-me uma perna de frango ambulante como todas as outras mulheres que por lá andavam, com certeza. Hoje em dia uma mulher não pode dançar em paz levando simplesmente uma mini-saia e uma camisola decotada…não se percebe!
Para além de conhecer as bonitas cidades de Portimão e Lagos fui até ao Zoomarine. Já não ia lá há muitos anos. Existem vários espectáculos com golfinhos, focas e araras, para além de existirem vários divertimentos. Há um que não suporto e detesto andar nele e tenho a certeza que muita gente partilha este medo comigo que é a arrepiante roda gigante. Sabem, aquela roda que gira muito devagarinho para apreciarmos bem a paisagem? É essa mesma. Da última vez que lá tinha ido fiquei com trauma àquela roda e quando lá entrei de novo neste verão foi a primeira coisa que me lembrei.
Para quem tem vertigens é a pior coisa que se pode fazer, andar na roda gigante. As pessoas dizem que é uma roda muito romântica, até pode ser e com certeza se eu fosse com um moço ele até iria gostar porque iria estar o tempo todo agarrada a ele com medo de olhar para baixo. Todos os outros divertimentos são mais rápidos e por vezes até mais altos do que a roda gigante mas nem temos tempo de pensar em nada, e é pura adrenalina…agora a roda gigante? A montanha russa é que é, qual roda gigante!
Bem, as praias do Algarve estão cheias. Uma pessoa nem consegue pôr a toalhinha e percorremos o caminho todo na areia a dizermos “Ops! Desculpe, não lhe queria pisar a cabeça!”. Por vezes levantamos a cara da toalha e deparamos com as nádegas de uma senhora bem juntinhas à nossa cara, é desagradável. Mas é sempre bom ir para o Algarve, quem é que não gosta? Deixo-vos com uma foto tirada por mim na praia do Vale. É das praias mais bonias do Algarve, sem dúvida!


Até à próxima!

quarta-feira, julho 16, 2008

Apatia

Gritos de desespero arrancados duma alma frustrada e vazia que se encontra no corredor da morte apela por algo desconhecido aos ouvidos humanos que se rebaixam perante a estranheza duma situação… preferem fechar-se no seu mundo para não serem cúmplices de algo que lhes apele a uma reacção.

Poderia contar o caso de Vialonga, em que uma rapariga no seu próprio prédio às tantas da manhã gritou para os vizinhos a acudirem… só quando pararam de ouvir os gritos é que os vizinhos chamaram a GNR… já ela estava no outro mundo…

O que está a acontecer com a sociedade de hoje em dia?

Vejo as pessoas a irem para o comboio, a caminhar sobre as pedras pisadas, a comentarem em pensamentos para si “Não me apetecia nada ir para o trabalho…”, provavelmente aturarem um chefe que é uma besta ou colegas que vivem nas suas intrigas e por vezes conseguem lixar as pessoas assim. No dia seguinte, recomeça a rotina…

Nas discotecas, rapazes para um lado e raparigas para outro… na última vez que fui (já foi há algum tempo) constei isso… as raparigas a dançarem com as raparigas e os rapazes com os rapazes…

Nos grupos musicais (que é o que estou mais a par), cada um toca para seu lado, sem se ouvirem… depois culpam X dessa situação em vez de se ajudarem, de se ouvirem aos outros… em vez de se apoiarem…

E depois no fim do ciclo da vida chora-se por não se ter passado mais tempo com as pessoas de quem se gosta realmente…

O que devemos fazer para contornar o triste caminho que a sociedade está a tomar? Preciso de respostas…