sexta-feira, março 21, 2008

Situações caricatas


Já devem ter ouvido e visto na televisão vezes sem conta senhores com uma certa idade que entram em contra mão na auto-estrada. Eu perguntava-me será que não vêem bem, precisam de mudar as lentes dos óculos ou têm alzheimer. No fundo preocupa-me que um dia quando for mais velha saia à rua e todos estejam a andar em contra mão.
Há um mês atrás percebi porque é que isto acontece, afinal todas as minhas teorias foram por água abaixo. Existem dias que mais vale nem sairmos de casa, e este foi um deles. Percebi realmente porque é que as pessoas de uma certa idade começam a andar em contra mão e tudo porque uma colega minha me ofereceu gentilmente boleia. Mas quem ia a conduzir era o seu avô, com um ar gentil e animado. Na realidade senti um arrepio na nuca quando aceitei o convite, eu até gosto de andar a pé e não era assim tão longe.
A viagem começou bem até ao momento em que apareceu uma placa de sentido proibido e o senhor continuou todo confiante nessa direcção. Lá apareceram uns senhores a gritar para o carro a dizer que não se podia ir para ali, o avô pediu desculpa e virou para outro sítio. Naquele momento senti que seria a viagem mais longa de toda a minha vida. No sitio onde nós estávamos havia muitas obras e maioria das entradas estavam fechadas mas este avô não se importou com isso e houve um momento em que tentou entrar noutra estrada em que tinha uma placa de sentido proibido e eu disse-lhe “não pode ir para aí, é proibido” e ele vira-se e diz (nunca mais esquecerei estas palavras) “Mas eu não vou dar a volta, vamos por aqui”. Naquele momento vi o filme da minha vida a passar-me à frente e pensei nas coisas que gostaria de fazer e não tinha feito. Ele continuou convencido que aquele era o melhor caminho, todos os senhores dos carros de sentido contrário a olharem para ele e ele na maior das descontracções. Houve um momento em que um carro estava parado em sentido oposto e ele vira-se e diz “Olha-me este, nem encosta”. Eu acho muito bem ele ter dito aquilo, porque toda a gente que conduz deve pensar nos malucos que andam em contra mão, devemos pensar “Bem, esta estrada só tem um sentido mas nunca se sabe se do outro lado vem algum carro, é melhor encostar”.
Este senhor simpático queria que eu ficasse mesmo à porta do sítio para onde ia mas isto significava em entrar em mais sítios em que era proibido, até que houve um momento em que gritei e disse “Muito obrigada, mas fico por aqui, está óptimo, óptimo!” ele só parou realmente quando abri a porta com o carro em andamento e ali ele percebeu que realmente estava óptimo para mim.
Foi aqui que percebi que afinal as pessoas com uma certa idade não conduzem desta maneira por terem problemas de visão ou mesmo por terem doenças incapacitantes mas sim pela falta de paciência. Eles não medem as consequências e na realidade comportam-se como jovens adolescentes. Um conselho, nunca aceitem boleia de pessoas com uma certa idade, não preciso de dizer mais nada!

Até à próxima!

terça-feira, março 18, 2008

Esta ode é para ti, minha querida Lícia

Quero dedicar este post a ti, estejas onde estiveres... provavelmente num mundo bem melhor do que este.

Quero dizer que sempre te adorei, que mesmo com as nossas turras de "irmãs", mesmo com o teu selectismo acerca das pessoas (... sim... porque tu sempre gostaste de quem gostava realmente de ti), mesmo com o feitio especial que tinhas... foste para mim uma grande amiga e ficarás sempre no meu coração.

Tenho pena de não teres visto uma última vez a luz do sol, de não me ter despedido de ti com um abraço... vou sentir saudades da tua companhia verdadeira, de sentir o teu pêlo nas minhas mãos... aliás, já sinto...

Minha querida Lícia, rest in peace...

"Cão como nós"
Como nós eras altivo
fiel mas como nós
desobediente.
Gostavas de estar connosco a sós
mas não cativo
e sempre presente-ausente
como nós.
Cão que não querias
ser cão
e não lambias
a mão
e não respondias
à voz.
Cão
Como nós.

Manuel Alegre

E foste, sem dúvida, uma de nós...

sábado, março 15, 2008

Admiração

Ontem fui ver um grande concerto, o concerto da Stacey Kent. Uma das minhas cantoras favoritas. O meu interesse por jazz começou por causa dela, tem uma voz super limpa e serena, não precisa de muitos “vibratos” ou gritar como a whitney Houston para ser uma excelente cantora e para mais é uma mulher simples e simpática, deu para ver isso na sessão de autógrafos. Bem, eu detesto pedir autógrafos, não vejo grande utilidade em pedir um porque a pessoa que nós admiramos escreve num pequeno papel “ For Anna with love Stacey Kent” mas nunca mais se lembra de nós. Normalmente se se lembrarem de mim foi por ter dito alguma coisa realmente estúpida por causa dos nervos. Tenho esse dom de dizer coisas estúpidas quando estou nervosa e principalmente piadas que não têm piada nenhuma. Não se assustem porque neste caso nem disse nada de parvo à Stacey Kent mas tudo por causa do meu inglês, não consegui articular nada…não estamos habituados a falar inglês quando chegam estas situações nem uma piada estúpida conseguimos dizer, felizmente. Para mais nem lhe consegui dizer que Ana não era com dois n’s, ela bem me perguntou mas eu não consegui articular uma palavra sequer. Eu fui lá mais para tirar uma fotografia com ela, para não variar ela não percebeu que era para tirar comigo e ignorou-me e só estava a tirar com a minha amiga. Lá depois deu conta e levantou-se toda sorridente. Só a mim me acontece coisas destas, mas pelo menos divirto-me à grande com as coisas “irreais” que me acontecem. Para quem já leu isto tudo e não sabe de quem estou a falar oiçam Stacey kent, a sério, para a saúde dos vossos ouvidos. Foi dos concertos mais perfeitos que já vi. Os músicos eram excelentes.
Como já disse anteriormente tenho o dom de dizer coisas estúpidas quando fico nervosa, normalmente quando estou perto de pessoas que admiro (excluindo membros da minha familia). Como ultimamente tenho estado muitas vezes nessa situação, deixo um conselho ao caro leitor que está desse lado, se tem o mesmo problema do que eu, faça como eu mantenha-se calado, diga uma piada que tem a certeza que vai ser engraçada e ponha toda a gente a rir e depois cala-se, não se entusiasme se não eles terão a confirmação que é realmente parvo, como eles imaginavam.

Até à próxima!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Traumas de infância


Todos temos alguns traumas que nos perseguem a vida toda e se pensarmos bem, alguns deles nascem algures na nossa infância. Eu tenho três terríveis traumas de infância que gostava de partilhar convosco o primeiro é o mini milk. Sim, o magnifico gelado de leite. O nome do gelado engana as criancinhas, porque quando temos 5 anos não sabemos o que quer dizer milk. Eu nunca fui muito apreciadora de leite por isso este gelado não me agradava muito. Eu adoro gelados, e sempre que pedia um gelado aos meus pais saia-me sempre o mini milk, claro que eu preferia o epá, um cornetto ou até mesmo o calippo. O epá é que é um gelado como deve ser, tem um nome cool e ainda por cima tem uma pastilha elástica para ainda ficarmos mais “cools”. Era a combinação perfeita para mim porque tem a duas coisas que mais gosto pastilha elástica e gelado. Por mim acabava-se com o mini milk ou mudavam de nome e passava a chamar-se mini leite, parem de enganar as criancinhas!
Outro dos meus traumas é o vitinho. Sim é verdade, toda a gente gosta do vitinho mas eu não consigo ver o gajo à frente. Para quem não o conhece era aquele menino que ia dormir com um chapéu de palha na cabeça. Sempre que ele aparecia na televisão era certo como ia para a cama dormir. Claro que eu bem tentava mudar de canal só para os meus pais não verem, muitas vezes consegui que eles me deixassem estar mais meia hora a ver televisão porque mudava de canal e eles não ouviam o vitinho e perguntavam “Então já deu o vitinho?” e eu “não, ainda não, é cedo, eu adoro o vitinho!”. Mas é verdade ainda hoje não gosto do vitinho e traz-me más recordações. Ainda por cima nessa altura aparecia em todos os pacotes de cereais e bolachas. Tinha que o gramar até de manhã, quando me levantava lá estava ele no pacote do nestum com um ar feliz. Ainda hoje me lembro da música, é impossível conseguir tirar aquela música da cabeça. Sempre que via o vitinho desejava que em vez “está na hora da caminha, vamos lá dormir” dissesse “está na hora dos desenhos animados vamos lá ver televisão”.
E por último o Mr. Been. Eu adoro o Mr. Been e quando era pequena por mais que aquilo repetisse na televisão eu gostava de ver. Mas agora tornou-se uma tortura, todos os domingos de manhã quando ligo a televisão lá está ele. A RTP está a estragar os momentos bons que passei a ver o Mr. Been. Devia haver uma petição para pararem de dar o Mr. Been na televisão.
Por isso se quiserem partilhar traumas comigo estão à vontade.

Até à próxima!

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Manias

Foi lançado um desafio ao nosso blogue pelo blogue da minha amiga Ana, Billa's World. Normalmente não costumo embarcar nestes desafios porque acabo por me esquecer ou não ter tempo para escrever. Mas hoje arranjei tempo para este desafio. Depois de ter lido as manias da Ana fiquei desiludida, não por ela ser uma pessoa com muitas manias mas sim porque tem a maioria das minhas manias e agora o que vou escrever? Era boa ideia inventar umas novas, inventar manias originais e com classe. Agora sou eu que deixo um desafio para quem lê o blogue, que são para ai 2 pessoas, vá lá 3, eu vou inventar uma mania e vocês têm que adivinhar qual foi aquela que eu inventei. Aqui vão as minhas manias:

1 – Quando envio um mail a alguém, faço um trabalho ou até mesmo quando escrevo no blogue tenho a mania de ler 500 vezes (número inventado) o que escrevi para ter a certeza que não existe nenhum erro, se está bem escrito e com o texto justificado (se for um trabalho). Concluindo, se alguém me diz para enviar rapidamente um mail, o meu rapidamente é depois de ler as vezes necessárias para ter a certeza que está correcto e mesmo assim sinto que às vezes não chega. Grande mania ou outra coisa que quiserem chamar.

2 – Também tenho a mania da pontualidade, não era para repetir nenhuma das manias da Ana, tirei o andar de pijama e as listas mas esta teve de ser. Esta é uma mania que me consome e que me destrói. Tenho muito a mania da pontualidade, por isso se eu não aparecer é porque aconteceu alguma coisa que me impossibilitou mesmo de ir ou fiz de propósito. Chego sempre antes da hora combinada, agora já consigo chegar só um ou dois minutos antes. Detesto quando chegam atrasados a um encontro, fico com um péssimo humor, por isso não me façam isso. E sou mesmo capaz de deixar de combinar coisas com quem tenha o hábito de chegar atrasado. Eu sei que sou cruel.

3 – Tenho a mania de ir todos os dias ver o mail e ir ao msn, nunca se sabe quem quer falar comigo ou até mesmo receber um mail super importante. Nem que esteja lá só 5 minutos, tenho que ir lá dar uma espreitadela.

4 – Tenho uma terrível mania de comer ovas salgadas de esturjão e crustáceos decápodes marinhos
todas as manhãs. Acho que é a primeira vez que alguém escreve num blogue “ovas salgadas de esturjão” para quem não sabe o que é vá procurar, para isso é que serve a wikipedia.

5 - A minha última mania é um pouco estúpida e acho que muita gente tem essa mania, não é bem uma mania, acho que se chama mais de responsabilidade ou até mesmo ter tempo para a fazer, que se chama “fazer o TPC”. Desde pequena, que me sinto terrivelmente mal se não fizer os TPC’s todos que os professores me dizem para fazer. Eu sei que é uma mania estúpida mas se não fizer o TPC sinto-me mal até ao dia da aula. Já tentei deixar uma vez de os fazer mas não consigo. Estou-me a esforçar para isso.

Depois deste post, que comecei a escrever às 8h, sempre que combinar alguma coisa com vocês, vão chegar sempre a horas, vão passar a enviar-me mails a gozar comigo só para eu ter que os ler, vão querer tomar o pequeno almoço sempre comigo e só espero que não passe nenhum professor meu por aqui se não estou tramada.

Deixo este desafio aos seguintes blogues:

Coisas de pai

Ephemera

Conservatório Regional Silva Marques (até gostava de saber!)


Até à próxima!

domingo, janeiro 06, 2008

O melhor evento de 2007


Antes de mais quero desejar-vos um excelente ano de 2008. É com muito prazer que digo que o ano passado, para mim, foi um ano rico em concertos a que fui assistir (comparando com os outros anos).

Queria falar-vos um pouco do concerto que, até me atrevo a dizer, foi o melhor da minha vida… ocorreu no dia 11 de Julho no Culto Club, o concerto dos MUDHONEY. Eu não conhecia bem esta banda, embora tenha surgido no pequeno movimento de rock que se revelou no princípio dos anos 90 que adoro - movimento esse que, a meu ver, veio trazer alguma qualidade musical à época.

O meu jovem amigo, o Pedro do Porto, convidou-me a ir ver esse concerto e lá me convenceu… fui naquela a pensar que teria poucas oportunidades como aquela em ouvir boas bandas de rock que tragam ainda um pouco a influência dos anos 70 e lá fui. Como a minha amiga Ana também ia, fomos os três no meu boguinhas que já não funciona lá muito bem. Jantámos por lá (pregos) e depois fomos para o bar… um bar com um palco pequeno, nenhuma divisória para separar o público da banda, com umas escadinhas e com mesas lá em cima para as pessoas que não se queriam juntar à confusão.


Naquele ambiente super intimista, antes de começar o concerto dos Mudhoney, o nosso amigo Pedro foi lá para o meio, para o moche e eu e a Ana ficámos na terceira fila, no lado esquerdo do palco.

O concerto começou com a banda DÖ3 a fazer a primeira parte… penso que seja uma banda de Coimbra. Deram um bom concerto, sempre a elogiar os nossos amigos Mudhoney.

Quando o concerto começou, reparei que ficámos precisamente à frente do Steve Turner, o guitarrista. Os elementos da banda permanecem os mesmos de há anos menos o baixista. Mark Arm (vocalista), Dan Peters (baterista), Guy Maddison (baixista) e Steve Turner (guitarrista) – os representantes da banda.

O concerto foi bem mexido! Não parei de saltar! Não houve muita luta para os meus lados, só alguns encontrões… no crowd surfing havia sempre um rapaz à minha frente ou ao meu lado que mandava a pessoa para outro sítio. A banda em palco super animada… o Mark com o seu sorriso formidável, o Steve muito no seu mundo, o baterista e o baixista também a vibrarem com o feedback do público. O público que subia para o palco levava com um pontapé ou empurrão simpático do Mark. Quando tocaram a “Hate the Police” foi o pânico… aí gritei com a agitação que se originou. :P Foi durante o concerto que conheci a Sara, uma jovem simpática e pequenina do norte. Coloquei-a à minha frente e cantou a “Fix me” com o Mark :D.

Quando o concerto terminou, estávamos todos em água… eu era um rio em pessoa! Reparámos que depois lá em cima estava o Guy… pedimos um autógrafo, depois apareceu o Steve e o Mark. Tirámos uma foto com eles! Foi assim que conhecemos o Luís, um jovem que trabalha em Loures e também tem uma banda.

Fomos para a rua e lá estava o Dan, a beber uma cerveja sozinho, a observar o nosso rio Tejo… fui pedir um autógrafo, elogiei o concerto e o Pedro perguntou porque é que não tocaram a Here comes Sickness. Respondeu que o Steve não gostava da música.

O resto da banda foi beber também para fora do bar. O Steve ficou a conversar com a Sara e depois o Mark. Depois eles foram-se embora e nós ainda estávamos perplexos com as suas atitudes anti-vedetas… foram tão acessíveis connosco! Adorei!!!!!

A Sara e os amigos ficaram por lá… o Luís veio connosco até Lisboa, onde tinha deixado o carro… fizemos novas amizades e encontrámo-nos novamente todos em Paredes de Coura… concerto inesquecível este… ficará sempre no meu coração.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Patrícia no mundo do jazz


Tudo começou há uns anos atrás quando passei do “não gosto de jazz” a passar a ouvir todos os dias músicas de jazz no youtube e a descobrir os caminhos do jazz. Quando pergunto a alguém se gostam de jazz todos me dizem: “ah! E tal! Não é um género que goste muito”. Pois bem ninguém pode ter o mesmo gosto musical, se não andávamos todos a cantarolar músicas pimba e isso seria um desastre. Mas normalmente quem me diz isso só ouviu uma ou duas músicas de jazz, o jazz não é todo igual, como acontece na música clássica ou outro género musical. É preciso procurar até encontrarmos um que gostemos. Eu confesso que não gosto de jazz fusão, que é o que a maioria do pessoal ouve e diz que o jazz é todo assim, é mentira. Eu também achei o mesmo quando ouvi. Mas como vos disse eu comecei a gostar de jazz há uns anos atrás quando uma amiga minha me enviou uma música lindíssima e a partir dai comecei a procurar. Do “não gosto de jazz” passei a “até gosto disto” e cada vez mais comecei-me a identificar com o género. Mas há 2 anos para cá, comecei a ouvir Jamie Cullum, eu sei que o estilo dele é uma mistura de pop com jazz mas eu gosto porque é um estilo que chega a todos e ele consegue fazer grandes solos lá pelo meio e o que mais me cativa é a energia dele em palco. Confesso que gosto mais de jazz com voz, principalmente feminina, mas existem músicas lindíssimas só instrumentais.
Comecei a pesquisar até que cheguei a Michel Camilo e muitos outros. Eu não costumo comprar muitos cd’s mas vou passar a comprar, por vezes os cd’s são caros e para quem gosta de música e quer estar sempre actualizado é mais fácil ir ao youtube e passar horas a fio a ouvir. Mas há 1 ano para cá que o meu interesse pelo jazz tem aumentado e de “até gosto disto” passei a “eu identifico-me mesmo com este género”. O meu gosto foi aumentando até que desejei aprender a tocar. Apesar de ter pensado sempre que o jazz era super difícil de ser tocado, até mesmo sendo pior do que tocar música clássica. Comecei a procurar livros que me ensinassem alguma coisa, livros de Bill Evans e de outros músicos, que ensinavam como tocar jazz e blues. Apesar de preferir ter aulas com alguém que percebesse mesmo daquilo, até pensei ir ter aulas de jazz mas com quem? Já tenho o horário tão preenchido com a faculdade e o conservatório, que pensei que não iria dar. Até que por coincidência vieram ter comido a dizer que o Hot Clube ia dar aulas no conservatório se eu não queria participar, eu nem queria acreditar! Fiquei por segundos a pensar “ mas que raio, como é que eles vêm cá? Ah?” ainda nem percebo como é que isto surgiu logo na altura que mais queria aprender a tocar jazz. Estava tão entusiasmada, que até fui trabalhar só para pagar as aulas de jazz, comecei a dar aulas de piano, já agora se alguém estiver interessado em ter aulas é só falar comigo (é preciso aproveitar o tempo de antena).
Até que chegou o momento de ter a minha 1ª aula de jazz. Ainda me lembro de todas as palavras que disse o presidente do Hot Clube, desde o 1º dia que absorvo tudo o que me dizem para não escapar nada. E houve uma coisa que ele disse que não esqueci e lembro-me muitas vezes disso, e por vezes é o que me faz não desanimar quando as coisas correm menos bem que foi o seguinte, dita mais ou menos por estas palavras “a 1ª aula pode correr muito mal, pode ser péssima, mas a 2ª já não vai ser tão má quanto a 1ª, vão melhorar de aula para aula, até que chegam a uma altura que vão tocar muito bem”. Claro que eu vi logo isso na 1ª aula, quando olhei para o piano e não sabia o que fazer e pensei espero que a 2ª seja melhor, e ele tinha razão a 2º aula não correu tão mal quanto a 1ª e vejo que de aula para aula vou melhorando. Eu não sou de desistir à 1ª dificuldade, por isso enquanto vir melhorias não vou desistir de uma coisa que adoro fazer. Para mais os professores são óptimos e dão-nos imenso apoio. Pelo que eles dizem evoluímos muito com poucas aulas. Bem, isso motiva-me e faz-me trabalhar ainda mais. Jazz é a junção das 2 coisas que mais gosto de fazer, que é compor e tocar piano. Aqui posso pôr um bocadinho de mim nas músicas, de certa forma compor a minha improvisação no momento. Passei anos a ouvir o que tinha que fazer quando tocava música clássica, para não dizer que as audições de piano são “super divertidas”, não sei como alguém consegue divertir-se a tocar aquilo e para mais sozinho. Finalmente, consigo divertir-me e sentir prazer a tocar piano, tocar com amigos e tocar na maneira que quero tocar. As aulas de piano ajudaram-me a ter técnica, mas a técnica não é tudo, se não fosse as aulas de composição, formação musical e agora de jazz, ia-me sentir mais pobre e para mais com mais dificuldades. Isto sim, diverte-me e preenche-me. Por isso agora estou na fase em que digo “eu adoro jazz”.

Até jazz ;)